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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Caminho Neocatecumenal é uma comunidade judaico-protestante

Rorate Caeli — Tradução ao espanhol: Adelante la Fe | Tradução Sensus fidei: Trecho da entrevista com D. Athanasius Schneider realizada e publicada por John Henry Newman Centro de Ensino Superior, Hungria.


Sr. Fülep: Enquanto se persegue a tradição, existem alguns novos movimentos modernos que estão muito respaldados. Um deles é a comunidade de Kiko. Qual é a sua opinião sobre o Caminho Neocatecumenal? 

Sua Excelência Dom Schneider: Este é um fenômeno muito complexo e triste. Para falar abertamente: É um cavalo de Troia na Igreja. Eu os conheço muito bem, porque fui um delegado episcopal para eles durante vários anos no Cazaquistão, em Karaganda. E os ajudei em suas missas e reuniões e li os escritos de Kiko, seu fundador, portanto, conheço-os bem. Quando falo abertamente, sem diplomacia, devo dizer: O Caminho Neocatecumenal é uma comunidade judio-protestante dentro da Igreja apenas com uma decoração católica. O aspecto mais perigoso está em relação à Eucaristia, porque a Eucaristia é o coração da Igreja. Quando o coração está em más condições, todo o corpo está em mau estado. Para o neocatecúmeno, a Eucaristia é primariamente um banquete fraternal. Isto é protestante, uma atitude tipicamente luterana. Eles rejeitam a ideia e o ensino da Eucaristia como um verdadeiro sacrifício. Até mesmo argumentam que o ensino tradicional, e a fé na Eucaristia como sacrifício, não é cristã, mas pagã. Isto é completamente absurdo, isto é tipicamente luterano, protestante. Durante as suas liturgias eucarísticas tratam o Santíssimo Sacramento de uma forma tão banal, que às vezes se torna horrível. Eles se sentam para receber a Sagrada Comunhão, e, em seguida, se os fragmentos são perdidos, já não fazem caso deles, e depois da Comunhão dançam, em vez de orar e adorar Jesus em silêncio. Isto é realmente mundano e pagão, naturalista.


Sr. Fülep: O problema não poderia ser apenas na prática …

Sua Excelência Dom Schneider: O segundo perigo é a sua ideologia. A ideia principal do Neocatecumenato de acordo com seu fundador Kiko Arguello é a seguinte: a Igreja tinha uma vida ideal até Constantino, no século IV, somente esta era, de fato, a verdadeira Igreja. E com Constantino a Igreja começou a se degenerar: degeneração doutrinal, degeneração litúrgica e moral, tendo a Igreja alcançado o ápice desta degeneração doutrinária e litúrgica com os decretos do Concílio de Trento. No entanto, contrariamente à sua opinião, o oposto é verdadeiro: esse foi um dos aspectos de maior destaque da história da Igreja, por causa da clareza da doutrina e da disciplina. De acordo com Kiko, o obscurantismo da Igreja durou desde o século IV até o Concílio Vaticano II. Foi somente com o Vaticano II que a luz entrou no Igreja. Isto é uma heresia, porque significa dizer que o Espírito Santo abandonara a igreja. E isto é muito sectário e muito alinhado com Martinho Lutero, quando afirmou que, até ele, a Igreja estivera em obscuridade e foi unicamente por meio dele que a luz veio à Igreja. A posição de Kiko é fundamentalmente a mesma, só que Kiko postula o obscurantismo da Igreja de Constantino até o Vaticano II. Então, eles interpretam mal o Concílio Vaticano II. Eles se dizem apóstolos do Vaticano II. Assim, justificam todas as suas práticas e doutrinas heréticas com o Vaticano II. Este é um grave abuso.

Sr. Fülep: Como pode esta comunidade ser oficialmente admitida na Igreja?

Sua Excelência Dom Schneider: Esta é uma outra tragédia. Eles estabeleceram um poderoso grupo de pressão (lobby) no Vaticano há pelo menos trinta anos. E há um outro engano: em muitos eventos apresentam uma grande quantidade de frutos de conversão e muitas vocações para os bispos. Um grande número de bispos estão cegos pelos frutos, e não veem os erros, não os examinam. Eles têm famílias grandes, filhos numerosos, e têm um alto padrão moral na vida familiar. Isto é, claro, alcança um bom resultado. No entanto, há também um tipo de comportamento exagerado para pressionar as famílias para que obtenham um número máximo de crianças. Isto não é saudável. E dizem, estamos aceitando a Humanae Vitae, e isso, claro, é bom. Mas ao final isso é uma ilusão, porque há também um bom número de grupos protestantes no mundo de hoje com um alto padrão moral, que também tem um grande número de crianças, e que também vão e protestam contra a ideologia de gênero, homossexualidade e que também aceitam Humanae Vitae. Mas, para mim, esse não é um critério decisivo da verdade! Há também um grande número de comunidades protestantes que convertem um grande número de pecadores, pessoas que viviam com vícios como o alcoolismo e as drogas. Assim, o fruto da conversão não é um critério decisivo para mim e eu não vou convidar este bom grupo protestante que converte os pecadores e tem uma enorme quantidade de crianças em minha diocese para participar no apostolado. Esta é a ilusão de muitos bispos, que estão cegos pelo “frutos”.


Sr. Fülep: Qual é a pedra angular da doutrina?

Sua Excelência Dom Schneider: A doutrina da Eucaristia. Este é o coração. É um erro olhar primeiramente para os frutos e ignorar ou não se importar com a doutrina e a liturgia. Tenho certeza de que virá o tempo em que a Igreja examinará objetivamente esta organização em profundidade sem a pressão dos lobbies do Caminho Neocatecumenal, e os seus erros na doutrina e na liturgia realmente virão à luz.

Cristo é o único Redentor.

Sr. Fülep: Há cinquenta anos atrás foi promulgada a declação “Nostra Aetate” do Concílio Vaticano II. Seu quarto artigo apresenta a relação entre a Igreja Católica e o povo judeu em um novo quadro teológico. Esta escrita é um dos documentos do Concílio mais problemáticos e controversos, entre outras coisas, devido às declarações sobre os judeus. E agora para este cinquentenário um novo documento foi escrito pelo cardeal Kurt Koch, em nome da Santa Sé, no qual se lê que “a Igreja Católica não sustenta e nem apoia qualquer obra de missão institucional específica dirigida aos judeus”. Por acaso o mandamento missionário estabelecido por Jesus já não é mais válido?

Sua Excelência Dom Schneider: É impossível, porque seria absolutamente contrário à palavra de Cristo. Jesus disse: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24) e a sua missão continua, não foi abolida. Ele disse: “ide a todas as nações e fazei discípulos”, mas não disse: “ide a todas as nações, com exceção dos judeus.” A declaração acima implica isso. É um absurdo. Isso é contra a vontade de Deus e contra toda a história da vida da Igreja em dois mil anos. A Igreja sempre pregou a todos, independentemente de nação e religião. Cristo é o único Redentor. Hoje, os judeus rejeitam a aliança de Deus. Há apenas uma aliança de Deus: a antiga aliança foi apenas preparatória e atingiu o seu objetivo na nova e eterna aliança. Esse é também o ensinamento do Concílio Vaticano II, “o propósito principal para o qual se dirige o plano da antiga aliança foi preparar-se para a vinda de Cristo. Deus, o inspirador e autor de ambos os Testamentos, dispôs tão sabiamente de modo que o Novo Testamento está escondido no Antigo, e o Antigo se manifesta no Novo “(Dei Verbum, 15-16). Os judeus rejeitaram esta aliança divina, uma vez que Jesus lhes disse: “Quem me odeia, odeia também a meu Pai” (Jo 15,23) Estas palavras de Jesus permanecem válidas para os judeus de agora, “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13:31). E Jesus disse que se não o aceitam, não podem ir ao Pai. Quando os judeus de hoje rejeitam a Cristo, rejeitam o Pai e rejeitam também a sua aliança. Porque, em última análise, é uma aliança única, não duas alianças: a Antiga se tornou a Nova Aliança. Porque há um só Deus, não há dois deuses: um Deus do Antigo Testamento e um Deus do Novo Testamento. Esta é a heresia gnóstica. Esta é a doutrina dos fariseus e do Talmud. Hoje os judeus são os discípulos dos fariseus talmúdicos, que rejeitaram a aliança de Deus em Sua nova e eterna aliança. No entanto, os judeus justos no Antigo Testamento — os profetas, Abraão e Moisés — aceitaram a Cristo. Jesus disse isso, por isso temos de salientá-lo, também.

Sr. Fülep: Em seguida a “Nostra Aetate” João Paulo II chamou os judeus “irmãos mais velhos”, o Papa Bento XVI a eles se refere como os “pais na fé”. Mas os judeus no Antigo Testamento e o judaísmo talmúdico são duas coisas muito diferentes, correto?

Sua Excelência Dom Schneider: Sim, claro. Infelizmente, essas expressões destes dois Papas são também em certo grau um tanto ambíguas. Não são claras. Então, quando estas palavras são no sentido de que os judeus são nossos irmãos mais velhos, deve-se assinalar que apenas os judeus do Antigo Testamento — os profetas, Abraão e todos os santos do Antigo Testamento — são nossos irmãos mais velhos. Isto é correto, porque aceitaram a Cristo, não explicitamente, mas em nível de prefigurações e símbolos, e, Abraão, até mesmo explicitamente, como o próprio Cristo disse: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; e eu o vi e se encheu de alegria”(Jo 8,56). Mas como podemos dizer isso sobre os judeus contemporâneos do Talmud que rejeitam a Cristo e não têm fé em Cristo e na Santíssima Trindade? Como podem ser nossos irmãos mais velhos se eles não têm fé em Cristo? O que estão me ensinando? Tenho fé em Cristo e na Santíssima Trindade. Mas eles rejeitam a Santíssima Trindade, portanto, não têm fé. Consequentemente, nunca podem ser meus irmãos mais velhos na fé.

Entrevista feita e publicado por John Henry Newman do Centro de Ensino Superior, Hungria.

sábado, 6 de abril de 2013

Papa Francisco e a seita herética neocatecumenal


A gangue satânica neocatecumenal da início em Roma à uma missão abençoada pela hierarquia modernista vaticana como chefe  o “Bispo Bergoglio”. Tudo como previsto, os apostatas modernistas Vaticanos prosseguem nas ruínas da Igreja Católica, para promover a diabólica “nova Igreja Conciliar”...

Sábado próximo, 6 de Abril, o Cardeal Vigário Agostino Vallini, conjuntamente com a seita herética neocatecumenal, enviará, com a Sua Benção, todas as comunidades de Roma à missão a 100 praças. A liturgia de envio será precedida de um Kerygma, do servo do diabo, Kiko Arguello.
A ridícula e blasfema liturgia se desenvolverá na basílica de São Paulo com início às 11 e término às 12:30.


Acima um vídeo eloquente do compromisso da hierarquia com a herética e diabólica seita Neocatecumenal 

Uma grande missão em 100 praças de Roma: esta é a iniciativa do Caminho Neocatecumenal para o Ano da Fé de Bento XVI com a Carta Apostólica Porta Fidei. A iniciativa do Papa emérito segue aquelas dos precedentes anos jubilares promulgados durante o seu pontificado: o Anno Paolino (junho 2008 – junho 2009) e o Anno Sacerdotale (junho 2009 – junho 2010).


Quando foi promulgado o Annus Fidei, em muitos âmbitos da Igreja, se multiplicaram as iniciativas voltadas ao estudo e ao aprofundamento da fé: propostas editoriais, acadêmicas, catequeses, e cursos de atualizações de diversos gêneros.

Os iniciadores do Caminho Neocatecumenal, Kiko Arguello e Carmen Hernandez, juntos de padre Mario Pezzi, propuseram a Bento XVI, antes de sua demissão, uma iniciativa especifica por este ano da Fé. A proposta do Caminho Neocatecumenal é aquela iniciar a disposição da Nova Evangelização todas as comunidades neocatecumenais espalhadas pelo mundo.

Não é por certo a primeira vez que o Caminho Neocatecumenal se dedica à evangelização, sendo inserido na sua natureza o anuncio da Boa Notícia aos “distantes”. Desde sua fundação, de fato, esta realidade eclesial contribuiu de modo fundamental ao anuncio do Evangelho através do envio de sacerdotes, catequistas itinerantes, famílias em missão e laicos consagrados a todo o mundo. Também em ocasião da Jornada Mundial da Juventude, os jovens neocatecumenais vão, durante a peregrinação, percorrendo a cidade e anunciando o Evangelho nas praças das cidades.

A novidade da Grande Missão deste ano é na modalidade com que se pretende levar a todos o anúncio de Jesus Ressuscitado. O período escolhido para esta missão, que se desenvolverá ao mesmo tempo em todo o mundo, são os cinco domingos de Páscoa a partir de 7 de Abril. Tratar-se-á de cinco encontros com temas que terão como cenário algumas praças escolhidas ao acaso pela cidade, em horário a definir segundo as paróquias que organizarão o evento.

Em Roma o caminho neocatecumenal está presente em 104 paróquias com um total de 500 comunidades. A comunidade se reúne em grupos de 5 e irão logo que escolhida uma praça na vizinhança da paróquia da qual pertença. Na praça designada se colocará um cavalete com uma imagem sacra, um ambão e uma cruz para criar um ambiente de pregação em lugar aberto no meio dos que passam. O programa foi estabelecido pelos iniciadores do Caminho Neocatecumenal juntos do Cardeal Vigário para a Diocese de Roma, Agostino Vallini.




Se partirá domingo, 7 de Abril com um primeiro encontro de catequese. Depois de um momento de pregação (de manhã ou pela tarde de acordo com o horário escolhido) acompanhado de cantos e experiências pessoais de alguns jovens, um catequista proporá uma reflexão a partir de alguma pergunta fundamental: “Quem é Deus para você?” “Crê em Deus?” “Porque crê?” “Experimentou na tua vida o que Deus é?” “Sentiu a Sua ajuda?” A quem quiser aproximar-se para escutar o anúncio, se dará ensinnamento no domingo seguinte na mesma praça.

O segundo encontro será aos 14 de Abril. A segunda catequese abordará os temas do sentido da vida e a busca da felicidade: “Quem é você? “Porque vive?” “Qual é o sentido de tua vida?” “És feliz?”

O terceiro encontro, domingo 21 de Abril, será dedicado ao anúncio de “Kerygma ou seja o anúncio do amor de Deus pelos homens manifestado na morte e ressurreição de Seu Filho Jesus Cristo. O tema deste encontro será “Anúncio do Kerygma: a notícia da tua Salvação em Cristo Jesus”.

O anúncio da Boa Notícia prosseguirá também durante o quarto encontro, domingo 28 de Abril, onde se tocarão as conseqüências mais pessoais do anúncio do Kerygma: “O chamado à conversão”. O anuncio do Evangelho, de fato, não pode deixar indiferente aquele que o acolhe: a escuta confiante da Palavra de Deus deve corresponder uma mudança radical de vida, não como esforço pessoal ou empenho nos confrontos de Deus, mas como um desejo de haver, dentro de ser a natureza divina que nos vem ofertada gratuitamente da Ressurreição de Cristo. Do amor gratuito de Deus pelo homem surge como resposta o amor do homem a Deus e ao próximo, a aceitação de sua vontade e o desejo de descobrir-se verdadeiro discípulo do Ressuscitado.

Aos 5 de Maio a catequese se focará sobre a Igreja como comunidade em caminho e “Sacramento de Salvação” para todos os homens. Serão propostas como linhas de guia as perguntaas: “O que é a Igreja?” “Qual é a tua experiência na Igreja?” “Queres ser ajudado por uma comunidade Cristiana?”.




O Santo Padre Francisco consentiu desta grande missão nas praças do mundo: logo após o Conclave aprovou a missão na sua cidade: também na sua em Buenos Aires partirão famílias, jovens e catequistas das comunidades neocatecumenais para diversas praças. O início do pontificado de Francisco foi marcado pelo envio à evangelização a partir de Roma; já nas primeiras palavras depois da eleição o Papa falou de “evangelização desta tão bela cidade”. Falando aos cardeais, aos 15 de Março de 2013, Papa Francisco sublinhou: “Temos a firme certeza que o Espírito Santo doa à Igreja, com o seu poderoso sopro, a coragem de perseverar e também de procurar novos métodos de evangelização, para portar o Evangelho até os confins da terra.” Aos sacerdotes romanos o Papa recordou a urgência de sair às periferias para levar o Evangelho “aos outros”.

Também o prefeito de Roma, Gianni Alemanno está a favor do projeto e se demonstrou entusiasmado desta iniciativa que, em certo sentido, agitará a cidade como foi a missão nos ambientes querida por João Paulo II durante o Jubileu de 2000. O prefeito cumprimentou o Caminho Neocatecumenal pelo serviço espiritual ofertado à cidade através de suas numerosas iniciativas de Nova Evangelização nas paróquias e pelas estradas de Roma.

Sábado, aos 6 de Abril às 11:00hs na Basílica de São Paulo, o Cardeal Vigário de Roma Agostino Vallini encontrará as comunidades neocatecumenais para uma celebração de “envio” que dará o início à esta grande missão pascoal.

sábado, 9 de março de 2013

A estratégia suspeita dos “segredos”. Será o Neocatecumenato maçom?

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

Várias vezes em suas instruções Kiko recomenda aos catequistas não revelar a nenhum estranho o que ouviram. Por sua vez os “catequistas” repetindo a mesma proibição aos neocatecumenais, aumentam a terrível ameaça de que os transgressores serão castigados com uma “maldição” estendida até a 3ª ou 4ª geração.
Sem dúvida, Jesus exortou a anunciar sua mensagem inclusive sobre os telhados... São Paulo nunca escondeu nada aos pagãos, dizendo-lhes as verdades mais profundas e inculcando-lhes os deveres mais árduos..., os apologistas dos primeiros séculos, os Padres da Igreja, os teólogos de todos os tempos, etc, se atreveram a publicar seus próprios escritos e divulgá-los sem excluir nenhuma categoria de leitores.
Compreendo então com o padre Leone Poggi, de Cuevo, pode escrever: “Porque Kiko não apresenta suas pregações, publicando-as para o que publico saiba, com conhecimento de causa, quem é, que coisa prega o
que quer finalmente com suas denominadas revelações e as de Carmen? Por que as reuniões são sempre de noite e em pequenos grupos, quase sempre sem permissão dos respectivos párocos? Por que aquelas instruções estão reservadas aos catequistas? Por que em suas pregações nunca se faz referencia à confissão, à comunhão e à vida de graça, e somente se fala da necessidade de uma nova instrução catequética e não outra? E por que é necessário que durante tantos anos, até dez ou mais, e considera a antiga catequese como errônea e falsa..., pretendendo propor um cristianismo até agora desconhecido, ao menos desde o século IV até o Vaticano II?”
A explicação é intuitiva: Kiko e Carmen temem as relações do mundo católico, especialmente dos fiéis mais peritos em teologia, em exegese bíblibca, em patrística, como em história da Igreja, heresias, Concílios e Magistério Pontificio...
Por isso a grande maioria dos neocatecumenais se compõe de gente humilde, inculta, quase analfabeta em matéria de religião. Confirma isto, ademais, o descuido e até o desprezo que tem pela ciência teológica, justamente como pensava Lutero... Kiko-Carmen temem particularmente que a hierarquia descubra o fundo
doutrinal de seu Caminho..., que a Igreja os desacredite ante à opinião pública, que os condene, que lhe impeça de realizar o plano de fundar uma nova Igreja, demolindo a Católica, Apostólica e Romana... que é exatamente a do Concílio de Trento por eles detestado.
Muitos suspeitam que por trás de suas pessoas está a sombra da maçonaria e outros inumeráveis inimigos da Fé. De outra forma não se explica sua “estratégia de segredo”.

Afinal, o "caminho" é de descida ou subida?

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

Péssimo início no "caminho"

Em seu início há uma série de sacrilégios já que desde o primeiro dia todos devem escutar não somente a catequese senão também participar da “Eucarístia”, considerada pela Igreja no Concílio “como a fonte de todo o culto e da vida cristã”, pois nela “está todo o bem espiritual da Igreja”, “raiz e principio [...] da qual deve partir toda educação que tenha por fim formar o espírito da comunidade”, etc.
Kiko autoriza a todos receber a comunhão: “Aqui pode vir um ateu ou qualquer outra pessoa. Durante este tempo nunca falamos sobre o sexo, o trabalho..., nem se um tem uma amante ou se rouba, se mata ou deixa de matar... nada! Pedimos somente uma coisa: vir a escutar a palavra de Deus uma vez por semana e celebrar a eucaristia. Cada um continua atuando como queira...”.
Evidentemente ele não crê na “presença real”, resultado da transubstanciação, e considera que a Eucaristia pode ser recebida inclusive em pecado mortal, contra a doutrina e à proibição do Concílio de Trento, que Kiko detesta (cf. DS 1642 e Cân. 2, 1652, 1647).
Que êxito positivo pode ter um Caminho de conversão iniciado no pecado e ancorado durante anos na profanação da Eucarístia? Se nos primeiros anos Kiko omitiu a recitação do Creio, como pode atrever-se a que se receba um sacramento que é o Mistério de Fé por excelência e supõe, sobretudo nos adultos, não somente no estado de graça, senão também um certo grau de maturidade intelectual e espiritual...?

"Caminho" obscuro


Outro fruto da péssima árvore do Caminho neocatecumenal (ao menos seguindo a lógica mais elementar, e não as piruetas e vai-e-vens dos discursos de Kiko), é a velada recusa das fontes da revelação: Sagrada Escritura e Tradição, como o Magistério sempre o interpretou e propôs aos fiéis no transcurso dos séculos.

  • a- A demonstração a priori é sensível: negando o sacerdócio ministerial se nega a Ordem Sagrada que constitui a hierarquia, por sua vez adotada, entre outros poderes, de uma magistério infalível, o único que pode definitiva e indiscutivelmente interpretar o sentido da “Palavra de Deus transmitida e escrita”. Mas a teologia de Kiko nega a Ordem Sagrada, portanto nega também o sacerdócio ministerial, a hierarquia, os poderes da Igreja visível, entre os quais o Magistério, remitindo à inspiração pessoal a interpretação da Sagrada Escritura...
  • b- Enquanto à Sagrada Escritura muito habilmente fala Kiko – e somente uma vez – da interpretação que dela faz a Igreja (cf. Orientaciones... pgs 238 ss.). Mas não teme ao afirmar que “a Bíblia se interpreta por si mesma através de paralelismos...”, expressão muito ambígua..., e que “o importante é a experiência das pessoas...” (Orientaciones... do esquema pg. 45). Insustentável é o que afirma do Novo Testamento em sua relação com o Antigo. Depois de citar o elenco dos livros deste, diz: “finalmente temos o Novo Testamento, que inclui os Evangelho, os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse. Este não é muito importante. De forma especial eu digo a vocês, se gostam dizeis, senão, não”. (Orient. Pg. 249). [...]
  • c- E sobre a Tradição apostólica, enriquecida pelas contribuições do Magistério eclesiástico, ordinário e solene, Kiko se atribui faculdade de interpretar a palavra de Deus de modo completamente autônomo. São muito numerosas suas exegeses que não concordam com o Magistério... (cf. G. Conti, Neocatecumenali al bivio, De Segno, 1994, pgs 28-55)... quase total é a ausência dos Padres da Igreja e de teólogos... não cita aos 20 concílios ecumênicos que antecederam o Vaticano II, nem as intervenções de índole dogmática e moral dos Papas. Recusa aberta, repetida e duramente as definições e as disposições do Concílio de Trento. Vejam bem, recusar a guia materna da Igreja significa recusar a Revelação, ou seja, caminhar no escuro.

Somente quem conhece pode julgar o "caminho"?

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

Assim repetem os neocatecumenais quando não sabem o que responder ás observações críticas que se lhes fazem: “Vinde e vede!”.
Para algum ingênuo a resposta pode representar uma dificuldade... mas tenho serias razões para refuta-la:
  • a- A experiência direta e pessoal pode ser substituída, plenamente, pelo estudo cuidadoso das catequeses contidas nas orientações de Kiko e Carmen, anteriormente citadas. Igualmente as descrições detalhadas de ex-neocatecumenais de todas as categorias e níveis culturais, novamente livres, centrados e decepcionados, constituem centenas de testemunhos...
  • b- Ademais, já que os ritos e discursos variam de comunidade em comunidade, e estas são milhares distribuídas em todos os continentes, seria preciso dar a volta ao mundo para informar-se de tudo...
  • c- Finalmente a severíssima lei do segredo proíbe que diante de estranhos – que seria o meu caso – se diga e comente o que os catequistas não querem fazer saber senão aos membros da comunidade, e nem sequer a todos, já que a doutrina é ensinada gradualmente, segundo as fazes de seu “Caminho”...
  • d- O convite, ‘vinde e vede’, foi dirigido em outros termos até a solene convenção de Viena, no curso da qual se verificaram incidentes particularmente desgraçados. Por exemplo:
• “Os bispos que queriam intervir não puderam falar...”. Em particular Carmen chegou a dizer a um: “O Senhor não permitiu que o Movimento entrasse e se desenvolvesse em sua diocese!”.
• “A um bispo que afirmava conhecer o Movimento, Carmen disse a ele que o Movimento somente pode ser conhecido “vivendo-o e aceitando-o”, quem está fora não entende nem pode entende-lo”.
• “Naquela convenção outros bispos queriam falar também, mas não puderam porque a palavra se tomava somente aqueles que falavam favoravelmente do Caminho”.
• Um arcebispo que estava presente e depois contou tudo, conclui assim: essa arrogância constitui um cinismo na história da Igreja! E isso não é um feito isolado pois o resultado da concepção que eles tem da ‘Igreja’”.
É estranho que a experiência neocatecumenal, tão extraordinária e sublime, pode ser comentada só por aquele que lhe a vivido!

Mitos sobre Kiko e Carmen


Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

Este é outro ponto do Caminho. Se trata do enorme poder dos catequistas, o ingênuo fanatismo das comunidades do Caminho neocatecumenal, a renuncia aos bens pessoais, às humilhações a que se submetem os dirigentes a alguns membros do grupo, tudo isto tem uma explicação na fé cega de todos nele, quase sobre-humano, poder carismático tributado a Kiko e Carmen. São fascinados até sacerdotes e bispos.

Não sou o primeiro a pensa-lo. Nossas observações criticas – segundo Mons. Luis A. Luna Tobar, bispo de Cuenca (Equador) – fazem referencia antes que nada ao “culto” dos fundadores. “Kiko, o culto de sua figura e à de Carmen, obtem como resultados, dentro das comunidades, uma magia inaceitável...” (Cit. Por Il Regno, 15/10/1993, pg 554).
Magia aumentada pela colaboração de “catequistas” que no inicio do Caminho buscam concentrar a vontade do grupo com técnicas psicológicas e sociológicas, de sorte que causem nos mais débeis entusiasmos e reações fortes até o fanatismo e à exaltação mística, sendo que nos mais fortes gera desgosto, mal-estar e rebelião, que se sufocam pela rigidez das regras do Caminho neocatecumenal, baseadas no silêncio e no segredo sobre tudo o que ocorre na comunidade.
“Os testemunhos sobre os próprios pecados que acompanham desde sempre o Caminho neocatecumenal, perturbam e violentam as consciências dos participantes débeis e indefesos...”. A exaltação até que “durante as liturgias [...] haja sempre quem se confesse publicamente, em alta voz, dizendo por exemplo: me masturbei durante toda a noite, e violei a filha de minha amante, ou me droguei e depois me entreguei aos prazeres sexuais, e assim por diante. E isto sucede em presença de crianças e adolescentes, escandalizando-os e fomentando neles curiosidades nocivas...”. Comenta assim uma testemunha de tal acontecimento.
Pois bem, num clima de exaltação, tudo é possível. Citando o teólogo R. Blázquez, o mesmo testemunho escreve: “A enfase posta sobre a incapacidade do esforço humano suscita inquietude em alguns... Resulta muito mais clara também a percepção da liberdade do homem que está como encadeada. Sim, é verdade, a liberdade do homem está como encadeada, e por isto é também muito fácil copiar o mau exemplo!” Estes são os frutos do Caminho?

A vida cristã, seminários e consagração religiosa no Neocatecumenato

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

Seminários

Este tema é muito mais sério. Se os jovens são educados seguindo a teologia de Kiko, temos graves motivos para nos preocuparmos. Pergunto: se preparam para a ordenação como rito que nos eleva à dignidade do sacerdócio ministerial, essencialmente distinto do comum a todos os batizados, inseridos na hierarquia católica... ou os qualifica somente como presbíteros, ou seja, anciãos, sem poderes que os autorizem a “consagrar”, “absolver”, “batizar”, “ungir aos enfermos”, “benzer”, etc... em Nome da Pessoa de Cristo?
Os seminaristas, estão dispostos a submeter-se às autoridades da diocese, a inserir-se em suas estruturas, a favorecer e participar ativamente em suas iniciativas e a obedecer as normas do Direito Canônico? Estão dispostos a consagrar-se a Deus, fazendo voto de castidade íntegra e perpétua, segundo as intenções de Cristo quem pelo contrário e segundo Kiko, não queria que nós sofrêssemos, havendo sofrido já Ele e nos desabilitando de todo e qualquer sacrifício? Por desgraça crêem plenamente que sua missão é reformar a Igreja, fundando outra Igreja paralela à Católica.

Vida cristã e consagração religiosa


Kiko da provas de não ter idéias claras sobre a distinção entre vida comum de graça possível e necessária para todo fiel e vida de consagração, reservada às almas que aspiram a um grau superior de perfeição espiritual, condicionada à pratica efetiva e perpétua dos conselhos evangélicos, consagrada mediante votos.
Pois bem, a confusão dos estados explica a severidade intransigente e às vezes impiedosa com a qual os “catequistas” pretendem dirigir aos neocatecumenais, caindo em grandes contradições que dão lugar a lamentos, enfrentamentos e deserções mais que justificadas. Assim por exemplo:
  • a- Se insiste sobre a venda de todos os bens, como se fosse uma condição necessária para ser autênticos cristãos. Mas sabemos que também na Igreja primitiva de Jerusalém aquela venda era muito livre... se o conselho de Jesus foi depois seguido pelos eremitas, monges, religiosos, não deve traduzir-se em um dever para todos os fiéis, que podem chegar igualmente à santidade sendo proprietários de grandes riquezas...
  • b- Segundo Kiko, a venda dos bens é obrigatória somente para os neocatecumenais, não assim para os batizados, porque são “cristãos”, e podem possuir tudo, gozar, “viver uma vida livre”. Em realidade o teor de vida dos “catequistas” e certos discípulos é magnífico. A Kiko, que parece que está gracejando, poderíamos perguntar qual é na realidade – segundo ele – o pensamento de Jesus, ou o espírito dos Santos... se a pobreza, (com toda sua carga de renuncia) é ainda ou não um valor, e nesse caso se se pode impor aos religiosos... se os frutos do Caminho, gloria de da que tanto se ufana, são por casualidade vocações à vida contemplativa...
  • c- Outra incoerência a respeito da castidade conjugal é que o Caminho Neocatecumenal exalta a paternidade exultante de uma prole numerosa, mas não aceita, e inclusive se opõe com força, à doutrina da Igreja segundo a qual a paternidade deve ser responsável, pelo que declara licito, quando há graves razões, o controle natural de natalidade, recorrendo aos dias infecundos da mulher, que impõe a continência periódica (cf. Encíclica Humanae Vitae, 16. Papa Paulo VI). Mas tal norma não seria digna dos neocatecumenais, que se consideram fiéis de primeira categoria.
  • d- Enquanto a obediência, a moral dos neocatecumenais é ainda mais incoerente, provocando desequilíbrios tremendos e desfazendo às famílias. De fato, a esposa deve seguir mais as diretrizes do “catequista” que as do esposo e vice-versa. Digo do “catequista”, não do “confessor”, que não pode exercer nenhuma direção espiritual... O neocatecumenato parece sujeito a seu “catequista” como um religioso o está a seu superior respectivo.
  • e- A propósito da santidade, a doutrina de Kiko se presta a um juízo critico mais severo. Sabemos que ela consiste na perfeição do amor a Deus e ao próximo. Logo, amor universal, compreendendo também aos que estão distantes, aos estranhos, aos inimigos... Sem embargo os neocatecumenais se comportam de outro modo já que são generosos com aquele que compartilham suas idéias ou esperam que as aceitem ou formem parte de sua comunidade... logo excluem aos outros, especialmente os que lhes são contrários.
Estamos em um quadro de mal-entendidos, estranhezas, contradições. Quê “fruto” é possível recolher de uma árvore tão enferma?

A nova concepção "missionária" nos "catequistas itinerantes"

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

Se faz muito barulho sobre isto... vão ao estrangeiro difundir a mensagem evangélica a quem a desconhece ou duvida. A celebração de seu envio é clamorosa, divulgada por rádio, televisão, por jornais e revistas. Mas também aqui a verdade dos fatos é outra.
  • a- Os catequistas itinerantes não são nem a sombra dos missionários católicos, que, depois dos Apóstolos, desde séculos, continuam recorrendo ao mundo depois de ter abandonado tudo, ou seja, vivendo sós, pobres, expostos a todo mal, prontos a morrer à causa da Fé, obrigados por votos a mudar-se a qualquer parte e ficar ali para sempre...
  • b- Ao contrário, os catequistas itinerantes levam consigo cônjuge, filhos, pelo que em grande medida se vêem apoiados pelos afetos familiares... Estão assistidos em tudo pelos irmãos... ficam livres de toda preocupação econômica, mais ou menos mantidos como turistas... por outro lado, depois de certo tempo podem voltar à pátria...
  • c- Ergue-se o problema dos filhos. Se estes crescem em companhia de seus pais, se deve deixá-los livres para que decidam se querem um futuro diferente ou inclusive contrario ao de seus pais. Instalando-se no país, e sendo ainda crianças, os pais catequistas faltam gravemente ao dever de assisti-los, educá-los, dar-lhes ternura, cuidados, defesa... O exige a natureza, contra a falsa exegese fundamentalista de Kiko segundo a qual para seguir Cristo devem ser odiados os próprios familiares. A verdade é que Jesus nunca mandou aos pais abandonar aos filhos quando tem ainda necessidade de sua assistência, e é por isso que a vocação missionária está condicionada ao celibato como consagração a Deus e à Igreja, que implica a generosa renuncia ao matrimonio e à todas as alegrias da família. Em 12 de Dezembro de 1994, o Papa recebeu às famílias neocatecumenais itinerantes, fazendo a eles a seguinte observação: “É muito significativo que nas comunidades se comprometam não só indivíduos senão também famílias, dispostas a enfrentar de comum acordo, sem faltar a seus deveres conjugais, com as dificuldades e as responsabilidades que semelhante tarefa comporta...” (O. R. 12- 13/Dez/1994). Logo a responsabilidade destas expedições missionárias recaí inteiramente nos catequistas, bem informados das condições de casa pessoa e de cada família. Portanto tudo depende da interpretação dada por Kiko à passagem do Evangelho em que, segundo ele, se manda odiar aos próprios familiares... Então, qual pode ser o destino das pessoas que com freqüência são atemorizadas e enganadas pelos dirigentes do Caminho?
  • d- O que preocupa sobretudo é o conteúdo da pregação dos homens educados na escola de Kiko-Carmen. Como verdadeiros missionários eles deveriam anunciar a Palavra de Deus tal como é interpretada pela Igreja Católica, Apostólica e Romana, não como seus pretendidos mestres a alteram, falsificam e traem...
  • e- Baseado em informações incontestáveis um Bispo, a propósito dos “catequistas itinerantes”, disse que “a maior parte dos bispos das dioceses onde vão os neocatecumenais não os querem, porque sua presença, não obstante as informações positivas feitas a seu respeito, não servem para nada e além disso são contraproducentes! Mas, quem sabe o que fazem acreditar o Papa?

As conversões e o número de "irmãos"


Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

Número de "irmãos"

Dizem que são realmente muito numerosos mas creio que a ninguém de fora permitirão consultar as estatísticas feitas pelo Caminho. Os dirigentes desejam impressionar a opinião pública organizando reuniões,
peregrinações, clamorosas manifestações...
Se numerosos são os que seguem o Caminho, também o são os que abandonam e às vezes chegam até a mal dize-lo... Ninguém se ocupou nunca deste assunto mas eu disponho de uma riquíssima coleção de cartas-confissões que estão destinadas a formar um grande volume que logo se publicará, com ele espero que possa fazer refletir muita gente.

As conversões


Uma verdadeira conversão acontece quando se passa do erro à verdade, de uma vida de pecado ao arrependimento que leva à reconciliação com Deus em Cristo e à uma total mudança de vida, tendendo à santidade no próprio estado.
Desgraçadamente, enquanto à verdade, o “caminho” por si mesmo (isto é, considerando-se a catequese neocatecumenal), não somente não a ensina, mas também à nega, deforma e deprecia, opondo aos dogmas da Igreja Católica as heresias de Kiko e Carmen...
Enquanto a conversão moral, as catequeses neocatecumenais não são capazes de realiza-las ou favorece-las: 
a- Se o homem está irresistivelmente dominado pelo Maligno, não pode fazer nada bom, ou seja, colaborar com os estímulos da graça...
b- A graça, segundo Kiko, não regenera a criatura humana fazendo dela um filho de Deus
c- Se ninguém está obrigado a imitar a Jesus, não será possível nem um mínimo de vida sobrenatural.
As conversões que existem, mais analisadas a fundo, não refletem nem de longe as idéias e critérios do Caminho, senão somente as experiências vividas pelos inumeráveis pecadores convertidos ao seio da Igreja Católica.
Testemunhos insuspeitos não fizeram saber que, depois de anos de Caminho, em algumas comunidades neocatecumenais ainda são descuidados, frívolos, licenciosos no falar, se enraivecem e até blasfemam..., não faltam defensores do aborto, do divórcio, amantes..., semeia-se o ódio, criam-se situações desagradáveis e para sair delas se dizem mentiras de toda sorte... não se restitui o dinheiro recebido em empréstimo... se comportam mal até na Igreja onde pouco antes da celebração eucarística se fuma, se canta, fazem brigas, se insultam...É difícil se de tais ambientes possa nascer o “homem novo”, ao mesmo tempo que é mais fácil que sucedam desequilíbrios afetivos e desvios espirituais que levam a abraçar outras seitas, como ocorreu varias
vezes. Muitos neocatecumenais se fizeram Testemunhas de Jeová, outros Evangélicos e inclusive catequistas, depois de 18 anos de Caminho, se tornaram ateus.
São muitos os matrimônios destruídos pelos impasses e obstinação dos maridos ou de esposas extraviados pelos catequistas, que se fazem de juízes supremos, pessoas sem escrúpulos... “Só o Senhor sabe quantos anos de solidão e desespero passei: temi virar louca!”, dizia uma senhora... “Se trata, me diz um pai de família, de uma seita secreta, por cuja causa uma esposa e mãe de família se ausentou durante vários anos separando-a dos seus, da verdadeira comunidade...”. “Se trata pois de uma seita cujo fim é destruir totalmente os fundamentos da família com o objetivo da ganhar-se submissão de cada individuo [...]. Chegou o momento dos cristãos saberem que esta seita destrói famílias...”. Há um fato, dentro da comunidade neocatecumenal, que surpreende, desconcerta e escandaliza particularmente aos verdadeiros “convertidos”, feito que mais tarde vamos revelar. Se pede dinheiro, sempre dinheiro... Em efeito, quando os iniciados “chegando a certo ponto do Caminho, devem dar o dizimo, não sabendo claramente onde vai parar: ninguém rende contas. Em grande parte se dão as esmolas para as paróquias e as dioceses que os hospedam, a fim de aumentar o apoio da hierarquia à eles...”. Portanto, generosidade meio interessada.
Os neocatecumenais “devem fixar uma certa quantidade para cobrir os grandes gastos de “gestão”, por exemplo, seminários, aluguel de salas, encontros, hotéis, sustento dos novos Luteros itinerantes ou em missão, e isto através de coletas, dízimos, devolução de bens, etc.”.
Em alguns a obrigação de vender os próprios bens, em certos casos, provocou verdadeiros desastres... mais de uma pessoa reduzida à miséria, enlouqueceu. Os neocatecumenais, generosos entre os “irmãos” até o desperdício, e muito mais com as autoridades eclesiásticas que os favorecem, são descuidados com os próprios familiares que não compartilham suas idéias. Da mesma forma que no juramento maçom que se faz o compromisso de ajudar aos irmãos da mesma loja – assim li em uma carta – também para os neocatecumenais há a obrigação de ajudar-se mutuamente na própria comunidade, e eventualmente em outras comunidades, enquanto não é preciso ajudar a quem não pertence ao movimento... sobram os comentários.
“A nós – me confessa uma senhora – nos disse que venderíamos o que tivéssemos. Não tendo nada mais que algo de ouro, o vendi e me obrigaram a entra a soma conseguida, umas 600.000 liras. Naquela noite, só em uma comunidade, foram recolhidos no “saco das sujeiras” uns 40 milhões de liras. Perguntei para onde iria aquele dinheiro, e o catequista me respondeu que não devia pedir nenhuma explicação.
Querendo eu esclarecer a coisa, me rebateu dizendo que devia convencer-me de que estava “possuída”...”.
“Se estima que houveram muitos milhões de “ágapes”, diversões, viagens, escrutínios. Um verdadeiro desperdiço de dinheiro e um verdadeiro furto! A venda dos bens constitui um engano mais grave para os neocatecumenais...”. “É um escândalo, portanto, essa depredação do fruto de tantos sacrifícios feitos com o trabalho! Agora bem, quem tem autoridade de dizer: se vender tudo será escrito no Livro da Vida? Que santidade é o deixar na pobreza os próprios filhos e até abandoná-los já que são pessoas livres? E que significa esse afastar-se, a terras de missão, abandonando os próprios pais ou aos irmãos incapacitados fisicamente?...”. “O movimento, segundo um arcebispo, maneja um rio de dinheiro, milhões de milhões, obtidos com a desculpa da renuncia dos bens”. Outro eminentíssimo personagem da Cúria Romana me confirmou e me confiou ter sido por sua vez informado por outros bispos... Mas eles não ousam agir porque temem desagradar o Papa.
Atenção! Não se trata de casos esporádicos senão de uma mentalidade, de um sistema, de um costume dos que livram somente os neocatecumenais que permanecem fiéis aos princípios e à práxis do mundo católico.
Se se objeta, como varias vezes aconteceu, que ao comprometer-se com o Caminho não se pode pretender que os associados sejam todos irrepreensíveis..., é fácil responder que, dadas as premissas doutrinais de Kiko e Carmen, ninguém realmente o fará: a natureza humana fica irremediavelmente arruinada, pelo que todo esforço de superação é inútil...
Então, de quê conversões de neocatecumenais se pode falar, das que se alegram padres e bispos?

Frutos do Caminho Neocatecumenal

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

Sei perfeitamente que o descobrimento do fundo herético do Caminho provoca muita perplexidade. Alguns apresentam objeção aos ótimos resultados obtidos por ele... outros pensam que se trata de posições teológicas somente especulativas e abstratas, portanto inofensivas. O que importa – se repete – é a vida, não as idéias... e ademais, a boa natureza da árvore se conhece pelos frutos que produz. Exatamente o princípio recordado por todos. Esta á uma aplicação do princípio de casualidade proporcionada, plenamente válido somente nos processos do mundo físico, nos quais a boa natureza de efeito depende de e revela – de forma determinante – a da causa, se esta não é impedida por agentes exteriores... Se pelo contrário, a causa influi na pessoa humana, pode ocorrer que esta, sendo livre, se subtraia à sua influencia, pelo que o efeito não se realizaria. Por isto acontece que uma causa boa pode produzir frutos bons, que obviamente não revelam a natureza da causa. Pensasse na bondade de Deus e na maldade de certos homens... em excelentes pais que têm filhos degenerados... em professores brilhantes e em discípulos displicentes, curtos de inteligência, etc.
E pode acontecer que a árvore boa produza frutos ruins, como que a árvore ruim produza frutos bons ainda que acidentalmente, quando a ele se associa a influência da árvore boa. Esclarecido isto posso demonstrar que o Caminho Neocatecumenal em si mesmo não é comparável à “boa árvore”. De fato, sendo fundado sobre o erro, porque parte de premissas contrarias aos dados da Revelação cristã em pontos fundamentais, o Caminho Neocatecumenal por si mesmo não pode produzir nenhum resultado positivo.
Não obstante isto, pode produzir frutos bons dependendo de influências exteriores a ela, que explicam como alguns, inclusive muitos neocatecumenais, podem ser irrepreensíveis. Em efeito devem a ortodoxia das idéias e o exemplo de vida e à educação recebida em família, ao colégio, na paróquia e em geral ao ensinamento do Magistério, às repetidas exortações dos Papas, à participação na liturgia Católica, celebrada segundo as diretrizes da Igreja hierárquica, não às novidades dogmáticas, morais e litúrgicas do Caminho: o que é autenticamente bom, o bom que pode haver nele pertence, já que provêm da tradição Católica, não da “criatividade” de seus inspiradores e dirigentes. Suas “novidades”, aceitadas e vividas integralmente, só podem induzir à apostasia do Cristianismo, tal como é proposto pela Igreja Católica.
As publicações neocatecumenais se vangloriam da enorme expansão do Caminho, do notável número de “irmãos”, das dioceses e paróquias em que operam, assim como das vocações religiosas e sacerdotais, dos
seminários surgidos em todas as partes. Alguém de fora, não informado de outra coisa, só poderia alegrar-se disto. Porém é indispensável que se saiba de tudo.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Santa Missa na doutrina de Kiko-Carmen

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli

  • Negando o Sacrifício da Cruz, Kiko se nega a reconhecer também o do Altar, o Sacrifício Eucarístico, pelo que recrimina a quem vê na Missa a “alguém que se sacrifica, isto é, Cristo”. De fato, ele ensina que “na Eucaristia não há nenhuma oferta”.
  • A Missa seria “o sacramento da travessia de Jesus da morte para sua ressurreição...” portanto, “uma proclamação, um anuncio da Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”.
  • Seguindo a Lutero, Kiko considera a Missa somente como um “sacrifício de louvor, um gozo perfeito de comunicação com Deus através da Páscoa do Senhor”. Pelo contrário os Papas mantendo as traças da grande Tradição católica, mantêm que “o Sacrifício oferecido na Eucaristia não é [...] um simples sacrifício de louvor: é um sacrifício expiatório ou “propiciatório”, como o declarou o Concílio de Trento” (DS. 1753), já que neste se renova o próprio sacrifício da Cruz, na que Cristo expiou por todos e mereceu o perdão das culpas da Humanidade (cf. João Paulo II, audiência geral, 15/5/1983).
"Santa Ceia ou Primeira Missa" por Kiko Argüello
  • Recusando o sacrifício eucarístico Kiko não aceita o prodígio da transubstanciação, que o condiciona essencialmente...
  • Logo não há verdadeira, real e substancial presença de Cristo, pela transubstanciação do pão e do vinho, depois da consagração. “A Igreja Católica se faz obsessiva pela presença real”. “O importante – sublinha Kiko – não está na presença de Jesus Cristo”. “Se Jesus Cristo quisesse a eucarística para permanecer ali, se faria presente numa pedra, onde não estaria nada mal”.
  • Por isso “estamos (os neocatecuemenais) mais próximos de muitos protestantes que de alguns católicos...”, ou seja, de todos os verdadeiros fiéis do Magistério...
  • Não reconhecida como “Sacrifício” a Missa se reduz a um banquete fraternal, o que exige somente uma mesa e não um altar. O pão e o vinho permanecem substancialmente imutáveis, e se mudam em mero símbolo da presença e influencia salvifica de Cristo ressuscitado, que “é uma realidade viva que constitui a Páscoa e arrasta a Igreja”; Sua presença “é um carro de fogo que vem a arrastar-nos em direção da glória”.
  • Recusando o “sacerdócio ministerial”, é “a Igreja inteira que proclama a Eucaristia”, isto é, que celebra o banquete. “Não pode haver eucarística sem assembléia. É a assembléia inteira que celebra a festa da Eucaristia, porque a Eucaristia é a exaltação da assembléia humana em comunhão...”. “É desta assembléia de onde brota a Eucaristia...”.
  • Negada a transubstanciação, há que observar o seguinte:
• Os fragmentos do “Pão consagrado” não contêm Cristo e, sobretudo depois do convite eucarístico, já não
“simbolizam” Sua presença. Estes mesmos caindo da mesa, não devem preocupar a ninguém, porque “não se dá importância às migalhas ou coisas do tipo”.
• Negada a presença real o culto eucarístico não tem sentido. Por isto Kiko se lamenta de que transformamos a "Eucaristia no divino prisioneiro do sacrário...”.
• Não tolera exposições, procissões, adorações, genuflexões, devoções eucarísticas.

"Missa neo-judaica/protestante do Neocatecumenato
  • Recusa a “reparação” pela razão exposta anteriormente, como condena também o “sacrifício”; a reparação é excluída, sobretudo se está relacionada com o culto do Sagrado Coração.
  • Kiko está convencido de que o ecumenismo promovido pelo Vaticano II encaminhou a Igreja para suprimir as divergências que, a propósito do mistério eucarístico, separam a Igreja católica das seitas protestantes: “Todos juntos nos sentaremos sobre a pedra angular, sobre a rocha na qual não existem divisões...”.

Nosso Senhor Jesus Cristo pela teologia neocatecumenal

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli
  • Jesus não operou a Redenção. O Vaticano II renovou a teologia a tal ponto que “não se falou mais na Redenção...”. Mas, para ser isto verdade tende se levar em conta o seguinte:
• O homem não tem nenhuma necessidade de redenção, não tendo como ter pecado (porque – como ensina Kiko -, “constrangido a pecar”, o pecado não é uma ação livre);
• Cristo não tem nada que expiar com seu Sacrifício, precisamente porque o homem não ofendeu a Deus, o qual não pode portanto exigir nenhuma reparação.

"A Sagrada Face de Jesus
Cristo" por Kiko Argüello
  • Ele redimiu o homem, não eliminando as conseqüências do pecado, enquanto ofensa a Deus e portanto reconciliando-se com Ele ao merecer a graça da penitência...; senão só libertando-o da morte em virtude de Sua Ressurreição, como se ele o único verdadeiro mal fora a morte e não a voluntária recusa de Seu amor.
  • Jesus, morrendo, não Se ofereceu como vítima pelos pecados do mundo, para satisfazer a justiça de Deus e redimir-nos de todos os males da vida presente e futura.
  • A catequese neocatecumenal ignora o mérito infinito de Sua oferta cruenta como supremo ato de amor ao Pai e aos irmãos.
  • A salvação é atribuída à Ressurreição de Cristo, não à Sua Paixão e Morte, que – conforme a todas as fontes da Revelação e à unânime tradição do Magistério- é a única causa meritória de Sua própria Ressurreição e de todos os nossos bens espirituais e eternos.
  • “Jesus Cristo não é de nenhum ideal de vida [...]; não veio para nos dar exemplo e ensinar-nos a cumprir sua lei”. Se assim a Igreja docente não teria nenhum “modelo” de vida cristã que propor aos fiéis. Sua moral não se diferenciaria de todas as outras pensadas pelo homem: agnósticas, relativistas, contraditórias. E finalmente não podendo propor a imitação de Cristo, como exemplo e única “via” que conduz à salvação e à santidade, pela que seremos reconhecidos pelo Pai para participar de Sua felicidade.

Deus e o homem na visão neocatecumenal

Do livro: Catequese Neocatecumenal e Ortodoxia Papal - Pe. Enrico Zoffoli
  1. O Deus de Kiko e Carmen não é o Deus bíblico, o da Tradição dos Padres e do Magistério, a quem se dirige esta oração: “Deus, a Quem a culpa ofende e a penitência aplaca...”. Uma ex-neocatecumenal de Rovigo me confirmou que sua catequista lhe explicou que é “soberbo” quem afirma haver ofendido a Deus pecando.
    O equívoco é grosseiro. A escola neocatecumenal não chegou então a entender que Deus – Ato Puro, Felicíssimo, Impassível- pode ser ofendido realmente pela negação, pela rebeldia, pelo ultraje ou pela indiferença... da criatura que, com sua atitude, falha no dever de reconhecer o absoluto domínio de Deus e sua total dependência d’Ele.
    O pecador mancha a ordem objetiva da Verdade e da Justiça, enquanto intenta com sua presunção subtrair-se a Deus (aqui tem a ofensa feita a Deus!), se prejudica realmente só a si mesmo...
  2. A teodiceia de Kiko Arguello, negando o pecado como ofensa a Deus, caí no erro do velho deísmo que separa e rechaça toda relação de Deus com o homem e do homem com Deus. Se trata de um Deus não somente transcendente se não também distante que deixando o homem livre, lhe consente viver como se Ele não existisse.
  3. Se o homem pecando não ofende a Deus, tampouco contraí com Ele o dever de reparação... isto é suficiente para excluir a necessidade de algum sacrifício expiatório. Porém, ainda há mais.
  4. O homem – segundo a doutrina neocatecumenal – está constrangido a pecar, ou seja, não pode deixar de fazer o mal; sua natureza está tão estragada que não lhe permite fazer o bem, pelo que é inútil qualquer tipo de esforço que faça para corrigir-se...
  5. A conversão consiste unicamente no reconhecimento – também público – das culpas cometidas e a confiança no poder salvífico de Cristo ressuscitado...; não no pesar de haver ofendido a Deus, com propósito de emendar-se, utilizando os melhores meios para conseguir a própria purificação.
  6. Não se conhece uma graça capaz de estimular à conversão, tendo como fim a regeneração do pecador, fazendo-o renascer até transformá-lo em um autentico filho adotivo de Deus para levar-lo assim à intimidade com Ele, que é prelúdio de vida eterna.
  7. Daqui se segue que a santidade não é possível, com o qual é incompreensível o culto aos Santos e Maria Santíssima.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Neocatecumenato: reforma da reforma da reforma...

O movimento Neocatecumenal, apesar da agressividade e do sectarismo dos seus adeptos, é considerado por numerosos homens da Igreja um instrumento para a “nova evangelização”, um verdadeiro recurso para a Igreja do futuro. Me permito duvidar em mérito, especialmente porque o Caminho tem uma estética pessoal – a nova estética (mesma coisa que no orwelliano 1984) em óbvio contraste com a estética católica, mas eu sei: o meu parecer não conta nada. Chegamos à questão da “liturgia” neocatecumenal aprovada. Alguns dizem: “não foi aprovada a liturgia neocatecumenal, mas só algumas cerimônias não estritamente litúrgicas”. É verdade, mas alguns pontos devem ser esclarecidos.
"Igreja" neocatecumenal

Antes de tudo, não existe uma liturgia neocatecumenal. Existe um aparato litúrgico neocatecumenal feito de particulares práticas litúrgicas e aparelhos cenográficos, mas este aparato — estes ornamentos, estes cantos e danças, que desmoronam em verdadeiros e próprios abusos litúrgicos — persiste em livros litúrgicos da Igreja Católica. Repito: não existe uma liturgia própria, mas uma maneira singular de viver a liturgia.

Está “maneira singular” se insere no interior do assim dito “caminho de iniciação cristã” e se explica – no estatuto – através três celebrações essenciais: a celebração penitencial, a da palavra e a eucarística. A tais “celebrações” se acrescentam outras que seguem o percurso iniciatico do neocatecumeno. Ora, são estas “celebrações” que teriam obtido a aprovação da Congregação para o Culto Divino. A responsabilidade é, portanto, toda do Cardeal Cañizares que alterna periodicamente ataques franceses a retirada espanhola, tímida abertura à reforma da reforma que constantemente abortam ou permanecem nos jornais ou na ilusão de algum fiel.

Acrescento que está escrito nos Estatutos (art. 14, 3) “Na celebração da Eucaristia nas pequenas comunidades seguem-se os livros litúrgicos aprovados do Rito Romano, com exceção das concessões explícitas da Santa Sé. No que concerne à distribuição da Santa Comunhão sob as duas espécies, os neocatecúmenos a recebem em pé, permanecendo em seu lugar”.

A questão é que, apesar das boas intenções, o rito não se realiza nestes termos. Mesmo depois da aprovação do Estatuto, os Neocatecumenais fazem o que lhes dá na cabeça. Na verdade, as prescrições do Estatuto são constantemente violadas e posso confirmá-lo por experiência própria. Portanto – o Papa que, apesar do controle de sua Cúria intrometida e anárquica, tem ainda idéias claras – considerou oportuno acrescentar algumas notas de roda-pé sobre o sentido da liturgia como momento de comunhão não sectária, mas universal, da Igreja entendida como Corpo Místico. Palavras que entram no ouvido de Kiko e saem pelo de Carmen…

Duas observações pessoais:

Primeiro: como pode o Cardeal Canizares consentir ainda hoje que se destruam os altares antigos, que se disserte sobre onde colocar um ambão ou como eliminar balaustres, e depois deixar a possibilidade a um grupo carismático de celebrar a Missa a seu gosto? Como se pode, não digo ignorar, o exemplo do Santo Padre que colocou no centro do altar o Crucifixo, mas chegar a aprovar as “celebrações” de quem no lugar do Crucifixo no centro do altar põe a sagrada Menorah? Cañizares outrora era chamado de “o pequeno Ratzinger”. Acredito que hoje se possa continuar a chamá-lo somente de “o pequeno”…
"Altar" neocatecumenal

Altar Católico

Segundo: como simples católico, me indigna saber que o rito milenar da Igreja, aquela que simplesmente é definida como Missa em latim, seja ainda um tabu para muitos Bispos, enquanto hoje se autorizam pseudo-celebrações fundadas sobre um diretório catequético aprovado faz um ano e composto de 12 Volumes, mas secretos! Como é possível que a Igreja mantenha ainda em segredo catequeses de um movimento carismático que se diz “católico”, ou seja, universal? Me preocupa, portanto, uma Igreja que aprova movimentos esotéricos. Pessoalmente prefiro uma Igreja exotérica, aberta a todos mas igual para todos.

Por Francesco Colafemmina - Tradução: Gederson Falcometa

Cardeal Burke e a liturgia neocatecumenal

Cardeal Raymond Burke
“Não posso, como Cardeal e membro da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, deixar de expressar a Sua Eminência a estranheza que o convite [para o encontro com o Papa previsto para seis dias mais tarde, "por ocasião da aprovação da liturgia do Caminho Neocatecumenal"] me causou. Não me recordo de ter ouvido algo sobre uma consulta acerca da aprovação da uma liturgia própria deste movimento eclesial. Recebi nos últimos dias, de várias pessoas, inclusive de um estimado bispo americano, expressões de preocupação sobre tal aprovação papal, da qual já haviam tomado ciência. Esta notícia para mim era um simples rumor ou especulação. Agora descobri que tinham razão.
Liturgia neo-judaica do Neocatecumenato
Deixando de lado a questão sobre a forma com que tal aprovação foi preparada pelo Santo Padre, devo, em consciência, expressar minhas mais sérias reservas no que se refere às inovações que o Caminho Neocatecumenal introduziu na celebração da Sagrada Liturgia. Estas inovações já haviam sido corrigidas em 2006 pelo Cardeal Francis Arinze, então prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, mas devo dizer que as correções não tiveram nenhum êxito, ao menos nos Estados Unidos. As comunidades deste movimento continuaram celebrando a Santa Missa com inovações significativas, abertamente em contraste com a disciplina litúrgica a ser observada nas paróquias onde realizam seu apostolado.
Sem entrar em um comentário detalhado sobre as inovações, expresso duas de minhas principais preocupações. O lugar escolhido para a celebração da Santa Missa, o modo de dispor os membros durante a celebração e a maneira anômala para a recepção da Sagrada Comunhão, a meu ver, exageram gravemente o aspecto do banquete no Sacrifício Eucarístico e abandonam o ministério insubstituível do sacerdote na Santa Missa.
Na mesma linha, as enormes monições dadas por membros [leigos] desde o ambão, durante a celebração da Santa Missa, relativizam a proclamação da Palavra de Deus e a Homilia sobre a Palavra de Deus por parte do ministro ordenado. Enquanto estas longas monições podem ter um lugar apropriado nas celebrações não litúrgicas, representam, a meu ver, uma grave distorção do Rito da Missa.
Finalmente, como fiel conhecedor do ensinamento do Santo Padre sobre a reforma litúrgica, que é fundamental para a nova evangelização, creio que a aprovação de tais inovações litúrgicas, inclusive após a correção das mesmas por parte do Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, não parece coerente com o magistério litúrgico do Papa.