quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Neocatecumenato e confissão (I)

É à luz do documento pontifício de João Paulo II, Misericordia Dei, que analisaremos o que se ensina aos membros do neocatecumenato sobre o Sacramento da Penitência ou Confissão.


Para isso, nos fundaremos na Apostila de Kiko e Carmem intitulada “Orientações às Equipes de Catequistas para a Fase de Conversão” — Anotações tiradas das gravações dos encontros realizados por Kiko e Carmem, para orientarem as equipes de Catequistas de Madrid, em fevereiro de 1972 — Jundiaí SP — janeiro de 1987 (quando citarmos esse documento produzido por Carmem Hernandes, daremos, entre parênteses, a página da citação feita).

No 9.o Dia desse encontro, a dirigente do neocatecumenato chamada Carmem fez uma exposição sobre o Sacramento da Penitência, na qual são abundantes graves erros doutrinários.

Dessa exposição é que faremos um resumo crítico.

Antes de tudo, convém salientar que a catequista-mor oficial do neocatecumenato, Carmem Hernandes, desde a sua primeira frase recomenda que não se conte a outros o que ela vai dizer: 

Não é para falarem às pessoas tudo o que eu direi, mas que fique como um pano de fundo, como base e possa servir-lhes para resolver os milhões de problemas que poderão se apresentar com as pessoas. Servirá para evitar complicações, porque o questionário sobre a Penitência se presta a muitas discussões com as pessoas” (p. 124).

É evidente, por essa frase inicial de Carmem, que os seus ouvintes se sentiram lisonjeados pela confiança neles demonstrada: sentem-se “da casa”, iniciados nos segredos do neocatecumenato. Estão já separados e distinguidos da plebe vil, que não terá direito de saber tudo.

Dir-se-á que essa frase tem apenas uma finalidade didática, visando aconselhar futuros “mestres”– os catequistas — como operar melhor.

Mas ela é também uma garantia de manutenção de uma certa reserva, de uma certa discreção. Entra-se num “segredo”. E quem é convidado a ouvir algo reservado, sente que é digno de confiança.

Em troca, tal ouvinte fica disposto a retribuir essa confiança particular, mantendo o “segredo”.

Carmem, entretanto, deixa brumosa a razão do “segredo”…

Ao encerrar a sua exposição sobre o Sacramento da Penitência, ela reitera o pedido de reserva ou de segredo:
Não digam nada às pessoas de todas estas coisas; simplesmente revalorizem o valor comunitário do pecado, sua índole social, o poder da Igreja, etc” (p.137. O negrito é meu).

O fato de, ao final de sua palestra, ela ter reforçado o tom de segredo fica patente, pois que ela diz que os seus ouvintes nada devem dizer do que ouviram. A conferência de Carmem devia ser mantida secreta.

Por que o segredo?
Porque ela tem consciência de que a doutrina que expõe é contrária a tudo o que a Igreja sempre ensinou, e que os católicos em geral conhecem. O segredo do neocatecumenato provém da consciência que seus dirigentes têm de que pregam uma doutrina que não é a católica.

Seria preciso mostrar o baixo nível de expressão de Carmem, que afirma ser necessário que seus ouvintes “revalorizarem (…) o valor comunitário do pecado“?

Revalorizar o valor?
E por acaso o pecado tem um “valor comunitário”?
O pecado não tem nenhum valor.

O primeiro ponto doutrinário a ressaltar no discurso de Carmem é a sua concepção evolutiva da Fé e dos Sacramentos. Diz ela:

“A concepção do Sacramento da Penitência evoluirá de acordo com o que as pessoas vão vendo nele”
(p. 124).

A concepção que a Igreja tem dos Sacramentos é objetiva, e todos os católicos são obrigados a aceitá-la.
A noção que Carmem expõe nessa frase peca por evolucionismo e por subjetivismo. Por ela se creria que a noção de Sacramento varia ao sabor da evolução da concepção que o ‘público” tem dele.

Alguém poderia tentar socorrer Carmem dizendo que no Motu Próprio Misericordia Dei o Papa João Paulo II fala também em evolução do sacramento.

Para facilitar o cotejo, repetimos a citação do Papa, já feita:

“A celebração do sacramento da Penitência conheceu, ao longo dos séculos, uma evolução com diversas formas expressivas”, ela sempre conservou “a mesma estrutura fundamental que compreende necessariamente, além da participação do ministro — só um Bispo ou um presbítero, que julga e absolve, cura e sara em nome de Cristo —, os atos do penitente: a contrição, a confissão e a satisfação”.

Note-se que o Papa afirma que houve uma evolução nas formas expressivas da celebração do sacramento, mas que a Igreja “conservou a mesma estrutura fundamental do sacramento”, que compreende:

1.o) a ação de um ministro que julga e absolve;
2.o) a ação do penitente que inclui a contrição, a confissão e a satisfação.

Nessa estrutura nada pode mudar e a Igreja sempre a conservou assim, diz o Papa.
Para Carmem, o que evolui conforme “o que as pessoas vão vendo” no Sacramento da Penitência é a concepção” dele. O que é bem diferente do que disse o Papa.

É essa concepção evolutiva da fé, dos dogmas e dos sacramentos que faz do neocatecumenato um movimento herético modernista.

Toda exposição de Carmem vai ser guiada por essa compreensão evolutiva da Fé, da Igreja e dos Sacramentos.

Continua...
Fonte

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Juízos doutrinários de Padre Enrico Zoffoli à "teologia" de Kiko- Carmem

"Relembrado tudo isso, posso declarar, contra a teologia de Kiko-Carmem:

É falso que o homem, mesmo sofrendo as conseqüências do pecado original, não seja mais capaz de resistir ao mal e de fazer o bem: a sua liberdade e responsabilidade moral é indiscutível, contra o pessimismo luterano.

É falso que o demônio, por mais malvado e insidioso que ele seja, possa dominar a vontade humana a ponto de constrangê-la ao pecado, pelo que a culpa não recaísse principalmente sobre o homem.

É falso que o homem, com o socorro da graça, não possa nem deva lutar contra as próprias paixões, ou seja esforçar-se por corrigir-se e tender positivamente à santidade de seu estado.

É falso que uma verdadeira conversão comporte apenas o reconhecimento e a acusação dos próprios pecados com a esperança do perdão de Deus; e não exija, portanto, também, a contrição e o firme propósito de não pecar mais.

É falso que a recuperação da graça não implique aquela «justificação» que, junto, é espiaçãio do pecado, reconciliação com Deus e real regeneração da alma, que torna a gozar de sua amizade e merecer a vida eterna.

6° É falso que o homem, pecando, não ofenda verdadeiramente a Deus e não seja por isso obrigado a expiar a sua culpa, satisfazendo um grave dever de justiça.

É falso que Deus, exigindo tal satisfação mediante o sacrifício, seja «cruel»: Como é falso dizer que Ele não visa recuperar alguma coisa que o homem, pecando, Lhe tenha subtraído; como é falso que o homem pode prejudicar apenas a si mesmo, recusando o seu único Bem. É falso dizer que a «satisfação» a que o homem está obrigado consiste no re-afirmar o absoluto primado de Deus e a radical dependência da criatura com relação a Ele. Somente assim ela dá a Deus aquilo que é de Deus, e a si aquilo que é seu. O dever da justiça coincide com o do respeito devido à verdade ontológica de Deus e do homem.

É falso que a «religiosidade», fundada sobre a natureza e a razão, não seja um verdadeiro e digno culto devido a Deus qual Criador e Providência, e não seja por isso a legítima e obrigatória etapa a alcançar, necessária para que o homem chegue a adorar o «Deus vivo» da Revelação hebraica-cristã.

É falso que, na Igreja Católica, o sacrifício seja um resíduo da mentalidade pagã. Ela seria isso somente se Deus, a quem se o oferece, fosse um ídolo qual era concebido pela mitologia clássica: ciumento e vingativo... A lei mosaica prescrevia um «sacrifício de expiação» além de outros, que para os celebrar Deus instituiu o «sacerdócio». Porque a Igreja não deveria tê-lo como supremo ato de culto?

10° É falso e blasfemo afirmar que Jesus, Verbo encarnado, não tenha redimido a Humanidade pecadora, expiando as suas culpas com o Sacrifício da Cruz.

11° É falso e ofensivo negar que Ele se tenha apresentado com o único e supremo Modelo de vida, e que a salvação seja possível somente para aqueles que se esforçam por imitar o seu exemplo.

12° É falso ensinar que Jesus para continuar na terra a sua mediação salvífica e aplicar às futuras gerações os méritos de seu Sacrifício de expiação e redenção, não tenha instituído a Igreja como sociedade à também hierárquica, ou seja visível e juridicamente organizada.

13° É falso considerar que os poderes por Ele conferidos à Igreja não sejam fundados unicamente sobre o sacramento da Ordem Sacra, ou seja, sobre o sacerdócio ministerial, essencialmente distinto do sacerdócio comum a todos os batizados.

14° É falso sobretudo pensar que o mais sublime e característico ato do culto católico não seja a celebração do sacrifício eucarístico como renovação incruenta do único, perfeito e irrepetível Sacrifício da Cruz. Somente morrendo Cristo redimiu o mundo, e não ressurgindo, como apenas pela participação em sua morte o homem pode merecer a vida da alma (= a graça) hoje, e, amanhã, a ressurreição da carne.

15° É falso que a Missa não seja «O» sacrifício por excelência, mas que seja apenas um «banquete fraterno»; é inegável em vez que este — ou seja, a Comunhão eucarística — deriva seu significado próprio e a eficácia santificante da participação dos fiéis no Sacrifício de Cristo, representada na distinta consagração do pão e do vinho, feita no altar pelo sacerdote-ministro, não pela comunidade, cuja eventual ausência não torna inválida a celebração eucarística.

16° É falso que a consagração do pão e do vinho limitam-se a conferir a estes elementos um novo significado, deixando-os essencialmente imutáveis; de fato, a consagração torna aqueles elementos o Corpo e o Sangue de Cristo em virtude do prodígio absolutamente único da transubstanciação.

17° É falso que, após a consagração, sobre o altar temos somente sinais do Corpo e do Sangue de Cristo, e não um e outro verdadeiramente, realmente e substancialmente presentes, ou seja, a mesma Humanidade integral assumida pelo Verbo. Não adoramos "o sinal", mas o Significado; não o "símbolo" de Cristo, mas a sua própria Pessoa divina.

18° É falso que a Comunhão eucarística não exija a Confissão sacramental dos pecados mortais ou que, ainda, seja suficiente um ato de contrição perfeita para recebê-la dignamente...; e é também falso afirmar que não é o sacerdote-confessor, mas a comunidade que reconcilia o pecador com Deus.

19° É falso que Deus perdoa e salva todos: perdoa somente a quem se arrepende de tê-lo ofendido; e se salva somente quem, correspondendo à sua graça, morre em paz com Ele. O inferno é realíssimo tanto quanto é possível a obstinação do pecador que morre no estado de impenitência final.

20° É falso que não devemos imitar as virtudes de Cristo e tender à santidade, possíveis através do exercício de uma ascese, prática voluntária dos conselhos evangélicos. A purificação interior que a segue é indispensável para evitar o purgatório.

domingo, 7 de julho de 2013

Do porque afirmamos que o Neocatecumenato desobedece a Igreja

Todos recordamos Bento XVI em sua ultima reunião com os neocatecumenais exortando-os (pela enésima vez) a seguir fielmente os livros litúrgicos da Igreja, também sem esquecer que o Papa fez chegar uma carta através do Cardeal Arinze (sim, o mesmo cardeal que logodisseram que lhes havia feito guerra) onde insiste aos Neocatecumenais que “Na
O importante é ter a foto
celebração da Santa Missa, o Caminho Neocatecumenal aceitará e seguirá os livros litúrgicos aprovados pela Igrejasem omitir nem acrescentar nada
.” Esta carta com correções eles afirmam que já ficou sem efeito logo após a aprovação dos estatutos, sem precaver-se que são os mesmos estatutos aprovados os que refletem a estas correções.


Tendo este ponto bem claro, recordamos agora as palavras do Santo Padre Bento XVI nesta magistral catequese sobre liturgia quando nos explicava que: “A Liturgia não pode ser idealizada ou modificada por uma comunidade particular oupelos experts.” Assim que com todo este marco, esta vez
A carta de Arinze é parte dos "estatutos aprovados"
esperamos que os irmãos neocatecumenais entendam o porquê lhes estamos recordando que o Caminho Neocatecumenal não obedece, não quer obedecer e se nega a seguir fielmente os livros litúrgicos da Igreja, esperando sua correção pelo bem das almas que Deus lhe há encomendado.

É por acaso que se a Congregação para a Doutrina da Fé nos insinua que estaríamos fazendo algo grave contra a liturgia não nos cairia a cara de vergonha nesse mesmo momento e desistiríamos de nossas ações nesse instante? Sem esperar que nos abram processo nenhum? Ou nos entraria a soberba de replicar e fazer como que não ouvimos, pois isso precisamente é o que Kiko e Cia. tem feito não recentemente mas sim desde muitos anos. Suas palavras sobre a Féria IV e a renuncia de Bento XVI não soam a algo como “Veja que coisa! Pretendiam nos mesclar com os demais! Mas enfim conseguimos impedir!”.

O Caminho Neocatecumenal desobedece à Igreja porque NÃO SEGUE FIELMENTE OS LIVROS LITURGICOS como mandou o Papa.

“A celebração em pequenas comunidades, regulada pelos livros litúrgicos, que devem seguir fielmente.” (Bento XVI)

Em primeiro lugar, destaco aqueles pontos nos quais a Missa neocatecumenal não respeita os livros litúrgicos devidamente aprovados. Deixo fora as práticas para as quais receberam
Comunhão na mão e sem possibilidades de recebe-la
ajoelhado
permissão da Santa Sé (comunhão em duas espécies permanecendo no lugar, rito da paz antes do ofertório, “ecos” de palavra antes da homilia; cf. Estatutos do Caminho, nota 49).

Consagração de pé: Diz o número 43 da Instrução Geral do Missal Romano que durante a Consagração, os fiéis “estarão de joelhos, a não ser por motivo de saúde, pela pequenez do lugar, pelo grande número de assistentes ou outras causas razoáveis lhes impeçam.” Sem dúvida, nas missas Neocatecumenais se permanece de pé, simplesmente porque Kiko Arguello o diz (em sua condição de pseudo-liturgista). Não recebeu-se nenhuma permissão para esta prática. E mais, Kiko é famoso por não colocar genuflexórios nas Igrejas que constrói. Pensar que o então Card. Ratzinger disse em seu livro “O Espírito da Liturgia” que “uma Fé e uma Liturgia que já não se identifica com esta postura “ajoelhar-se”, estaria enferma por dentro.” (p. 161, edições São Paulo).

O Caminho Neocatecumenal muda algumas ou todas as palavras da Consagração (Pregão eucarístico II).

Comunhão na mão: é verdade que a Santa Sé aprovou a forma de distribuir a comunhão que usa atualmente o Caminho Neocatecumenal, no entanto, diz a instrução Redemptionis Sacramentum que “todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca” (RS, 92). Pelo que deveria instruir-se a todas as comunidades neocatecumenais para que permitam receber a Comunhão na boca e de joelhos a quem quiser faze-lo. Já o disse a Madre Teresa: “O pior mal de nosso tempo é a Comunhão na mão”.
Só se fala e só se conhece a comunhão na mão, e se promove,
e não há possibilidade de receber a Santa Comunhão de outra maneira
Pregão eucarístico: Apesar de que em 2005 o cardeal Arinze havia solicitado a Arguello que nas missas neocatecumenais se começasse a usar os demais pregões eucarísticos, estas seguem brilhando por sua ausência: segue-se usando somente o pregão eucarístico II (o mais breve).

Pregão eucarístico (novamente): Diz a instrução Redemptionis Sacramentum: “Durante a pronunciação do sacerdote do pregão eucarístico, não se realizam outras orações ou cantos, e estarão em silêncio o órgão e os outros instrumentos musicais” (RS, 53). Como se sabe, nas missas neocatecumenais, o Celebrante canta o pregão eucarístico acompanhado de violão.

Oração universal: Tema menor. Apesar de que não se aprovou nos estatutos do Caminho neocatecumenal que a assembléia agregue intenções logo após as “oficiais”, mesmo assim esta pratica continua.

Comunhão do Celebrante: Diz o número 97 de Redemptionis Sacramentum: “o sacerdote deve comungar no altar, quando o determina o Missal, mas antes que proceda à distribuição da Comunhão, os fazem os celebrantes. NUNCA espere para comungar, o sacerdote celebrante ou concelebrantes, até que termine a comunhão do povo.” Segundo o Missal, o sacerdote deve comungar o Corpo e Sangue imediatamente depois de rezar “Senhor, não sou digno...”, antes que comunguem os concelebrantes e o povo. A congregação para o Culto Divino também descartou noano 2009 a possibilidade de o celebrante receba a Comunhão ao mesmo que a assembléia.

Uso de altares: No caminho neocatecumenal é prática comum utilizar mesas comuns para “armar” o altar para a Missa. Isto é ainda mais comum nas convivências, e ainda quando tem-se uma capela ou Igreja com um altar disponível mas que não é usado e deixado de lado, para usar-se em seu lugar em um salão, uma mesa comum, que permita acomodar a
Para que usar os altares dos que tem "religião natural"?
assembléia de acordo com a estética kikoniana, formando o altar com mesas que há por aí. Isto está contra os cânones 1237 e 1239 do Código de Direito Canônico, que dizem um altar móvel (aquele que não forma uma só peça com o solo) se deve “dedicar ou benzer”, e que “se há de reservar somente ao Culto Divino, excluído qualquer uso profano.” Geralmente não se sabe no que foram usadas estas mesas, e geralmente logo se as usam para outras coisas.

Leite e mel: Estava esquecendo a famosa distribuição de leite e mel antes de acabar a Missa (no tempo pascal) com a benção final se aproxima o “ministro” aos que já terminaram o “itinerário do Neocatecumenato” e lhes dão leite e mel em vasilhames de plástico dizendo “Provai e vede que bom é o Senhor”, e o leigo deve responder “feliz é quem recorre a Ele” antes de tomar. Diz a Redemptoris Sacramentum no número 96: “Se reprova o costume, que é contrario às prescrições dos livros litúrgicos, de que sejam distribuídas à maneira de Comunhão, durante a Missa ou anets dela, seja hóstias não consagradas sejam outros alimentos comestíveis ou não.”

Questões adicionais:

Falta de genuflexórios: logo após receber a Santa Comunhão, os fiéis deveriam poder ficar ajoelhados, porém isso não é possível em uma missa neocatecumenal, devido a falta de genuflexórios.

Matéria do sacramento: O uso de pão sem levadura em lugar de hóstias como matéria do Sacramento faz com que seja muito mais provável que se desagreguem partículas no momento da fração do Corpo (ainda feito de maneira muitas vezes descuidada e com pressa por “ministros” não consagrados, prática nunca vista em toda a Igreja). Ademais, ao receber a Santa Comunhão na mão, esta matéria é muito mais suscetível de gerar pequenas partículas que podem ficar na mão do comungante que deve tomar o Corpo e coloca-Lo na boca ele mesmo. Isto não é nada seguro. Veja esse vídeo.

Estilo musical: diz o Concílio Vaticano II: “A Igreja reconhece o Canto Gregoriano como o próprio da liturgia romana; em igualdade de circunstâncias, portanto, deve-se dar-lhe o primeiro lugar nas ações litúrgicas.” (Sacrosanctum Concilium, 116). Respeita isso Kiko Arguello? Pois nada! Em seu lugar “compôs” uns 200 cantos (a grande maioria, medíocres e outros puramente judaicos), todos em estilo “español”, fazendo que a liturgia perca essa dimensão universal (católica) que deve ter.

Não se utiliza o Próprio da Missa: em lugar de cantar o texto que indica o Missal para o Introito, o Ofertório, e a Comunhão da Missa do dia, se elege um canto neocatecumenal para tal.

sábado, 15 de junho de 2013

Heresias neocatecumenais em conformidade com a Neo-Igreja Conciliar


Duas presenças equiparáveis e adoráveis?
Liturgia e doutrina em um seminário neocatecumenal.


Não é por insistir mais, mas vai como prova do dito em artigo anterior. Vejam, fixem-se com atenção e julguem textos e imagens:

O  Santuário da Palavra de Deus

O texto que aparece citado na página é equívoco e suscita confusão. Diz:
A Igreja venerou sempre as Sagradas Escrituras da mesma forma como o Corpo do Senhor...

1- Uma primeira leitura deste enunciado nos dá a impressão de que o texto equipara o culto ao Sacramento do Corpo e Sangue do Senhor com um “culto à Palavra”; desta primeira impressão se deduz, igualmente, que existem duas presenças de igual ordem/nível, uma no Sacramento da Eucarístia e outra na Sagrada Escritura. O equívoco texto pode ver-se reforçado se existe uma proclividade a enfatizar essa “presença” na Escritura, à maneira em que se vive e ensina nas comunidades neocatecumenais.
2- O passo seguinte, como conclusão, é complementar o culto já existente com o novo descobrimento que implica o texto.
3- O resultado é esse aberrante “bi-Sacrário” com um manifestador da palavra acima, contendo a Bíblia, e outro abaixo com a guarda do Sacramento (se vê bem na fotos?).
A etiologia judaica-sinagogal também é evidente: se remenda/adapta à liturgia neocatecumenal o “armário da Torá” que preside as sinagogas judias, agora complementada com a Eucarístia, conseguindo-se o efeito mistério-teofânico de ambos os Testamentos, o Antigo e o Novo, na Palavra Escrita e na Palavra Encarnada-Sacramentada; ou, também se poderia dizer, com essa linguagem neo-teológica pós-conciliar  ‘o sacramento da palavra e o sacramento da eucaristia’, os dois juntos, reservados e/ou expostos para adoração.

Nas fotos que se seguem se vê o bi-sacrário (mais detalhe na imagem de cabeçalho deste artigo) e seguidamente uma “benção com a Palavra”. O ministro sagrado (diácono, provavelmente) toma a Bíblia com um humeral e abençoa aos fiéis realizando uma liturgia paródica da Benção com o Santíssimo:




Insisto: se ensina que são dois Sacramentos de um mesmo Misterium Salutis, igualmente adoráveis, da mesma identidade, a Palavra Escrita e a Eucarísitia do Corpo e Sangue do Senhor, com a mesma Presença de Cristo em um e outro?

O texto citado mais acima parece que fundamenta e justifica tudo isto. Mas o texto não é “neocatecumenal”, o texto citado é conciliar, um fragmento da Constituição Dogmática Dei Verbum, no nº 21:

21. A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito duma vez para sempre, continuam a dar-nos imutàvelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos Apóstolos. (DV cap. VI, nº 21).

O Catecismo da Igreja Católica ensina:

1374O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela «como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos» (Santo Tomás de Aquino, Summa theologiae 3, q. 73, a. 3). No santíssimo sacramento da Eucaristia estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo» (Concilio de Trento: DS 1651). «Esta presença chama-se "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelênciaporque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem» (Mysterium Fidei, 39).

1379:O Sagrado Sacrário era, ao princípio, destinada a guardar, de maneira digna, a Eucaristia, para poder ser levada aos doentes e ausentes, fora da missa.Pelo aprofundamento da fé na presença real de Cristo na sua Eucaristia, a Igreja tomou consciência do sentido da adoração silenciosa do Senhor, presente sob as espécies eucarísticaspor isso que o sacrário deve ser colocado num lugar particularmente digno da igreja; deve ser construído de tal modo que sublinhe e manifeste a verdade da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento.

1380: É de suma conveniência que Cristo tenha querido ficar presente à sua Igreja deste modo único. Uma vez que estava para deixar os seus sob forma visível, Cristo quis dar-nos a sua presença sacramental; e visto que ia sofrer na cruz para nos salvar, quis que tivéssemos o memorial do amor com que nos amou «até ao fim» (Jo 13, 1), até ao dom da própria vida.
Com efeito, na sua presença eucarística, Ele fica misteriosamente no meio de nós, como Aquele que nos amou e Se entregou por nós (cf Ga 2,20), e permanece sob os sinais que exprimem e comunicam este amor:
«A Igreja e o mundo têm grande necessidade do culto eucarístico. Jesus espera-nos neste sacramento do amor. Não regateemos o tempo para estar com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e disposta a reparar as faltas graves e os pecados do mundo. Que a nossa adoração não cesse jamais» (João Paulo II, Carta Dominicae Cenae).

Por muito que o texto explique logo, seu enunciado é um patente exemplo do que o professor Romano Amerio denuncia e esclarece em IOTA UNUM, a equivocidade dos textos conciliares e seu confusionismo.

Em outro plano, a liturgia volta a insistir no mesmo quando distingue a Missa em “liturgia da Palavra” e “liturgia do Sacrifício”. Volta com ele a surgir a dúvida: são as duas partes equiparáveis, iguais, simétricas? Ou a primeira se ordena à segunda como preâmbulo?

Sem uma reta e solida formação, um não saberia bem responder à estas questões, equívocos, dúvidas e perplexidades.

Se em um seminário se formam assim, com essa consumação da confusão plasmada na aberração de um bi-Sacrário com duas presenças interpretadas erroneamente (heterodoxamente) iguais em essência, o sacerdote-missionário neocatecumenal que se nutriu com esta doutrina, quê praticará, quê ensinará, quê difundirá, como celebrará quando for ordenado e exerça seu ministério, aqui, ali ou na China?

Seminaristas neocatecumenais: os futuros padres dos Bi-Sacrários
A realidade, como se pode ver, supera o temor dos apreensíveis.

Isto é o que se está aprovando? A audiência do Papa Bento XVI “cobre” e valida também estas práticas? Ficam, se não expressamente, tacitamente aprovadas?

Alguém nos pode esclarecer?

As fotos são da capela do seminário Redemptoris Mater, neocatecumenal, de Namur, na Bélgica. Nas seções da página há muitas fotos, entre elas algumas do arcebispo primaz da Bélgica, Mons. Leonard: aprova este bi-Sacrário de equívoco culto?